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| Foto de Pixabay no Pexels |
A sensação das palavras fluindo através dos meus dedos para o teclado. O som das teclas sendo pressionadas sem hesitação. O soar da tecla de espaço, mais forte que o de qualquer outra, sinalizando que terminei uma frase e que outra virá em instantes.
Eu gosto disso, gosto de quando esqueço que é um apenas texto sendo digitado, que isso é um notebook e essas são apenas letras que traduzem meus pensamentos. Eu gosto de como parece que minha mente me leva para algum outro lugar, um indescritível, feito de nada e de tudo ao mesmo tempo e, de repente, é como se meu eu físico deixasse de existir.
Também gosto de como, ao finalizar um pensamento ou ao ser interrompida por fatores externos, parece que eu despenco abruptamente de volta ao meu corpo e desperto desse transe, percebendo que estou apenas sentada... Escrevendo. É isso que chamam de sonhar acordado?
Nos últimos tempos, andei duvidando de que minha vocação fosse realmente esta. Não estaria apenas insistindo em algo para o qual eu havia sido feita apenas para ser expectadora e não criadora? E se tudo é uma perda de tempo e eu jamais serei boa o suficiente para traduzir meus pensamentos fielmente para algo físico e completo?
Quando impostos todos os problemas financeiros em seguir um sonho provavelmente impossível, não parece algo tão banal que podemos apenas ignorar e correr os riscos sem medo.
Mas quer saber de uma coisa? Já que esse é o único sonho que eu tenho e a tecla de espaço continua soando mais alto que as demais, eu seguirei escrevendo.
Pode até ser que minhas preocupações se concretizem, mas ao menos eu me diverti no processo da ruína.

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